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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Charles Fourier e a permanência da crítica à civilização


Resumo
Dentro de um conjunto de referências importantes para 68 e os anos que sucederam imediatamente aqueles acontecimentos lembramo-nos do filósofo francês Charles Fourier (1772-1837). A parte as polêmicas levantadas pelo materialismo histórico a respeito do socialismo francês da primeira metade do século XIX, parece importante ressaltar como em Fourier admitiu-se pela primeira vez, de forma declarada, a necessidade da libertação da mulher como fator de uma conseqüente emancipação geral da humanidade. Em plena época de vigência de uma legislação severa que assegurava a dependência das mulheres pelos homens, Fourier escrevia, entre outras obras instigantes, o Le Nouveau Monde Amoureux, manuscrito que chegou a conhecer uma publicação integral apenas pelas mãos de Simone Debout que na década de 1960 fez sair pela editora Anthropos a obra completa de Fourier. Nestes escritos Fourier defende posições polêmicas ainda para os dias de hoje, como, por exemplo, uma defesa do amor e da harmonia acima das concepções românticas e romanescas difundidas e aceitas no período. Isto implicava no reconhecimento de que as relações monogâmicas erigidas em lei não tinham outra função que a própria negação do amor como negação também das inclinações naturais humanas, sempre voltadas para a busca de novos prazeres. Através de seus escritos, Fourier elucidava a estreita relação entre mundo burguês e repressão, elo desde então atualizado a cada vez que nos aventuramos a uma reflexão sobre o mundo contemporâneo.
Dentre as inúmeras retomadas da crítica à civilização de Fourier, citamos a interpretação de Herbert Marcuse, importante filósofo da escola de Frankfourt que se converteu em uma referência intelectual respeitável para os anos 60. Além da contribuição para a filosofia mais contemporânea, Fourier também inspirou experiências libertárias no contexto dos anos 60, como a comunidade “Togetherness” nos Estados Unidos. As questões aqui brevemente expostas reforçam a necessidade de um retorno à crítica à civilização de Charles Fourier como uma das pontas que explicam a emergência de maio de 68 no mundo.

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